"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca" (Mateus 26:41)

Negroamaro

Negroamaro é uma das castas mais emblemáticas do sul da Itália, especialmente Salento (Puglia). Produz vinhos de alta densidade fenólica, cor rubi-escura, taninos firmes porém maduros, e um perfil aromático que combina frutas negras (amora, ameixa seca), ervas mediterrâneas, leve terrosidade e uma assinatura frequentemente descrita como amargor elegante no final — daí “amaro”.

Do ponto de vista enológico, destaca-se por:

  • Alto potencial de extração (cor + taninos) mesmo com intervenções moderadas.
  • Estabilidade oxidativa acima da média devido ao índice polifenólico.
  • Acidez moderada, resultando em vinhos amplos, quentes e estruturados.
  • Performance consistente em climas quentes e secos, mantendo integridade aromática.

Vinhos de maior destaque com Negroamaro:

  • Salice Salentino DOC — referência clássica; estilo robusto, especiado e longevidade surpreendente (6–12 anos).
  • Negroamaro del Salento IGT — mais moderno e frutado; frequentemente vinificado com maior maciez e estágio parcial em carvalho.
  • Brindisi e Copertino DOC — estilos mais tradicionais, com acidez mais marcada e taninos mais “engrenados”.
  • Rosatos de Negroamaro (Notadamente o Rosato Salentino) — secos, salinos, com fruta vermelha madura e ótima gastronomia.

Puglia

A Puglia, no extremo sudeste da Itália, combina uma viticultura ensolarada com uma cozinha profundamente enraizada na terra e no mar: seus vinhos — especialmente os tintos robustos de Primitivo e Negroamaro, além dos brancos frescos de Fiano e Bombino — expressam alta concentração fenólica graças ao clima quente e ventilado; já a gastronomia destaca a lógica camponesa de “cucina povera”, com protagonismo de massas artesanais como orecchiette, azeites de baixa acidez produzidos a partir de oliveiras milenares, frutos do mar colhidos diariamente e sabores diretos, minerais e salgados que refletem o terroir mediterrâneo da região.

🍷 Vinho e risco cardiometabólico: entre ciência e cultura

O artigo publicado no European Heart Journal explora a relação entre vinho e saúde cardiovascular, unindo a visão de um cardiologista e de um sommelier.

• Evidência científica: estudos recentes mostram que o consumo de álcool, em qualquer dose, traz riscos — especialmente para adultos jovens. Em pessoas mais velhas, pequenas quantidades podem ter impacto variável, mas a prioridade preventiva continua sendo dieta de qualidade, controle de peso, pressão, glicemia e lipídios.

• Mediterrâneo além do “paradoxo francês”: os benefícios vêm do padrão alimentar mediterrâneo (vegetais, azeite, oleaginosas, peixe e refeições compartilhadas), onde o vinho aparece como acompanhante cultural, moderado e sempre com comida.

• Dose e contexto: diretrizes europeias recomendam até 10–20 g de etanol/dia para mulheres e 20–30 g para homens, com dias sem álcool e evitando totalmente o binge drinking.

• Polifenóis e biologia vascular: o vinho tinto fornece compostos como resveratrol, que podem melhorar a função endotelial e reduzir inflamação, mas os efeitos dependem de genética, estilo de vida e comorbidades.

• Cultura e prazer: o vinho, quando integrado às refeições e consumido com moderação, pode reforçar a convivialidade e o bem-estar emocional — fatores também relevantes para a saúde cardiometabólica.

👉 Conclusão: para quem já bebe e não tem contraindicações, o padrão mais seguro é uma taça por dia, sempre com refeições e nunca em excesso. Para abstêmios, não há motivo para iniciar o consumo visando prevenção cardiovascular.

Referência: European Heart Journal, Volume 47, Issue 17, 1 May 2026

As guerras Iran e Rússia podem afetar o preço dos vinhos?

A notícia por trás de “Wine Bottles Significantly More Expensive Due to Iran War” é um lembrete bem pouco glamouroso — mas muito real — sobre o preço do vinho: não é só uva e vinícola. Em momentos de tensão geopolítica, o que costuma disparar primeiro é a conta de energia e o custo (e risco) de logística. E aí a garrafa — que depende de fornos de alta temperatura, energia constante e uma cadeia industrial super sensível a interrupções — vira vilã silenciosa. Quando o vidro encarece, o impacto aparece rápido no varejo porque a garrafa não é detalhe: ela é parte relevante do custo de muitos rótulos, principalmente nos vinhos de entrada. Some a isso fretes mais caros, seguros maiores para cargas e rotas mais complicadas, e você tem um cenário clássico de “custo invisível” que vai se acumulando até chegar na etiqueta. Em outras palavras: o vinho pode ficar mais caro mesmo sem mudar a qualidade da safra. No Brasil, essa história costuma ganhar um “turbo” extra. A gente sente mais porque boa parte do que bebemos é importado (ou depende de insumos importados) e porque o câmbio amplifica qualquer choque externo. Se o dólar sobe junto com a incerteza, o repasse não vem só do vidro e do frete: vem da conversão para real e, depois, do efeito cascata na cadeia (importador → distribuidor → varejo). Resultado: aumentos que, lá fora, parecem “moderados”, aqui podem virar reajustes bem perceptíveis — e nem sempre imediatos, porque o estoque comprado antes segura o preço por um tempo, até a próxima tabela.

Para quem gosta de beber bem sem pagar a conta da turbulência, a estratégia é simples: fique atento aos rótulos de bom giro e boa relação preço/qualidade e antecipe compras do que você já sabe que consome (principalmente importados engarrafados na origem). Também vale abrir espaço para alternativas com melhor eficiência de custo — vinhos nacionais de boa entregas, rótulos importados com distribuição mais estável e, quando fizer sentido, embalagens mais “racionais” (onde disponíveis). Se a instabilidade persistir, a tendência é o preço subir primeiro nos segmentos de entrada e intermediário; então, o melhor “custo-benefício” pode mudar de lugar — e vale reassistir seu radar de compras nos próximos meses.

(Adapta One IA)

Gran Enemigo Agrelo Cabernet Franc

 


Safra: 2016

País: Argentina

Região: Mendoza, Agrelo, Luján de Cuyo.

Produtor: El Enemigo

Site: https://enemigowines.com/

Uvas/Corte: Cabernet Franc (85%) e Malbec (15%)

Teor alcoólico: 13,5%

Preço: U$ 94-109; R$ 419 a 659 (preço nas importadoras e lojas especializadas de vinhos)

Score:  97 Decanter; 96 RP (2017); 94 Antonio Galloni (2017); 94 DS; 93 WE (2017); 92 WS (2017); 4,6 Vivino.

Premios:

Onde Comprar:

1. EliteVinhos  

Degustado: 22/09/2023  Chateau Vieira, com Vieira, Ive, Boris e Tamara.

Sugestão de Harmonização: Carnes vermelhas grelhadas e assadas, churrasco, cordeiro, pratos com cogumelos, massas com ragu de carne embutidos e queijos duros

Serviço:  16-18ºCz’

Comentários
" Uma das melhores interpretações de Agrelo que provamos este ano, o cabernet franc aqui utilizado provém de vinhedos plantados em meados da década de 1980 ao longo da tradicional Calle Cobos, espinha dorsal da zona de Agrelo. Os solos ricos em argila produziram um cabernet franc suculento e amplo, embora com boa acidez para equilibrar, notas herbais e florais, toques de terra e um final refrescante onde a acidez toma conta” Patrício Tapia  (Descorchados)

“At the end of the journey, we remember only one battle: the one we fought against ourselves, the original enemy, the one that defined us” Produtor

Sugestão de Guarda:  ± 10 anos.

Meus comentários:

A Bodega Elenemigo foi fundada em 2008, por Alejandro Vigil, enólogo da Catena Zapata, e Adrianna Catena, a filha mais nova de Nicolás Catena. Coloração vermelho escuro, aromas de frutos silvestres maduros, notas herbáceas, tostado, mocha, discreta pimenta preta. Robusto, paladar fresco, equilibrado.

Avaliação: muito bom   

Chateau Marjosse rouge

 


Safra: 2018

País: França

Região: Bordeaux

ProdutorChâteau Marjosse

Site: 

Uvas/Corte: Merlot (80%), Cabernet Franc (15%), Cabernet Sauvigon (7%) e Malbec (3%)

Teor alcoólico: 14,5%

Preço: R$ 235 a 250 (preço nas importadoras e lojas especializadas de vinhos)

Score:  89 Cellar Tracher;  3,7 Vivino.

Premios:

Onde Comprar:

1. Apreciate  

2. VinhoArte  

Degustado: 22/09/2023  Chateau Vieira, com Vieira, Ive, Boris e Tamara.

Sugestão de Harmonização: Carnes vermelhas grelhadas e assadas, churrasco, cordeiro, pratos com cogumelos, massas com ragu de carne embutidos e queijos duros

Serviço:  16-18º 

Comentários

" Elaborado por ninguém menos que Pierre Lurton, o responsável por alguns dos maiores ícones de Bordeaux, o Marjosse Rouge é uma verdadeira jóia do terroir de Entre-deux-Mers. É um vinho "macio, suculento e maravilhosamente refrescante" nas palavras de Robert Parker, que classificou a safra 2020 com (91-93) pontos” Adega 

Sugestão de Guarda:  ± 10 anos.

Meus comentários:

O Château Marjosse é propriedade de Pierre Lurton (diretor de enologia do Château Cheval Blanc e do Château d´Yquem), personalidade importante em Bordeaux. Bom custo benefício.

Coloração rubi brilhante, notas minerais, frutas vermelhas, leve nota de alcaçuz, Um vinho charmoso, corpo médio, equilibrado e charmoso. Fácil de degustar.

Avaliação: bom   

Esporão Reserva

 


Safra: 2020

País: Portugal

Região: Alentejo

Produtor: Herdade do Esporão

Site: https://www.esporao.com/

Uvas/Corte: Alicante Bouschet, Aragonez, Syrah, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Touriga Franca

Teor alcoólico: 14%

Preço: U$ 43; R$ 236 a 290 (preço nas importadoras e lojas especializadas de vinhos)


Score:  93 pontos AD;

Robert Parker:

90 pts | 2017 | 2010 | 2007

91  pts | 2016 | 2009

92 pts | 2011

Wine Enthusiast:

91 pts | 2018 | 2017 | 2016 | 2015

92 pts | 2014 | 2013 | 2010 | 2006

93 pts | 2019 | 2011

Wine Spectator:

90 pts | 2014

Premios:

Onde Comprar:

1. Vinomundi    

2. Qualimport   

Degustado: 22/09/2023  Chateau Vieira, com Vieira, Ive, Boris e Tamara.

Sugestão de Harmonização: Carnes Vermelhas, Massas com molho vermelho, Queijos

Serviço:  16-18ºCz’

Comentários
" O Esporão Reserva foi o primeiro vinho produzido pelo Esporão, em 1985. Nasceu da nossa vontade  de produzir os melhores vinhos no Alentejo. Ao longo dos anos, foi um vinho que nos levou a inovar, a crescer, a olhar para a nossa origem, a preocupar-nos com a natureza e a ver mais além. Adoptámos práticas agrícolas sustentáveis, mais recentemente convertemos todas as nossas vinhas para agricultura biológica, construímos novas adegas e viajámos para outros mercados, levando o Alentejo e Portugal para o mundo. A arte acompanha o Esporão Reserva desde o primeiro momento. Todos os anos convidamos um novo artista a ilustrar os nossos rótulos e cada obra conta uma história que se completa no seu interior.” Produtor.

Sugestão de Guarda:  ± 10 anos.

Meus comentários:

Sugiro decantar por 30 minutos. Uma assemblage elegante, nas proporções certas, tornando esse vinho fácil de beber, saboroso e convidativo para mais uma taça. Coloração rubi intenso, notas de frutas maduras, chocolate, discreta nuance de pimenta preta. Na boca boa é complexo, boa acidez, boa intensidade e volume, tudo muito bem equilibrado, taninos finos e domados

Avaliação: muito bom   

Crèmant de Loire Diamant

 


Tipo: Rose

Nível: Espumante
Classe: Brut
País: França/Vale do Loire
Estilo: N.V
Método: Tadicional/champenoise
Graduação alcoólica: 12%
Preço: U$ 30; R$ 159 - 210 (preço nas importadoras e lojas especializadas de vinhos).
Uvas/Corte: Cabernet Franc

Produtor:  Les Caves de la Loire 

Região: Vale do Loire
Score: 92 pontos DES; 88 pontos WE; 4,0 pontos Vivino




Onde comprar:
1. Emporiowiniarski  

2. Meuvinho   

3. Vinhosweb 

4. Vinumday 

Degustado: 22/09/2023  chateau Vieira, com Vieira, Ive, Boris e Tamara.

Sugestão de Harmonização: Como aperitivo, robalo gratinado, culinária japonesa, paella, fish and chips, frango cordon bleu, canapés e queijos

Comentários
“Rosé de Loire  é um vinho rosé com denominação de origem controlada (DOC) produzido nas áreas de denominação Anjou, Saumur e Touraine, ou seja, em grande parte dos vinhedos do Vale do Loire. Loire rosé é um vinho franco e leve. A sua vivacidade deixa explodir na boca aromas de frutos vermelhos.” Produtor

Serviço: 6 a 8º C

Sugestão de Guarda: 2025

Meus comentários:

Coloração salmão, perlage fina e intensa, bouquet delicioso de frutas vermelhas frescas (morango), frutas cítricas, maçã, textura cremosa, acidez suculenta, notas frutadas e minerais; boa persistência. Convidativo para o próximo gole.

Avaliação: Bom